HELVÉCIO FERREIRA DE ANDRADE

HELVÉCIO FERREIRA DE ANDRADE

HELVÉCIO FERREIRA DE ANDRADE (1864-1940)

 

Helvécio Ferreira de Andrade nasceu em 1864 no Engenho de Boa Sorte, na cidade de Capela, no estado de Sergipe. Foi médico de formação pela Faculdade da Bahia, com atuação em hospitais como o Santa Casa da Misericórdia e o da Beneficência Portuguesa. De acordo com Lobo (2018), em 1887 ele seguiu para Santos em São Paulo, onde exerceu o cargo de inspetor sanitário e inspetor geral do ensino. Em 1900 ele retornou para cidade de Maruim, em Sergipe, onde ficou até 1910 e passou a atuar no Hospital de Caridade como clínico e cirurgião. Helvécio tem participação na política com manifestação publicada em jornal, da necessidade de revisão constitucional da República.

Baseado em Oliveira (2008), é possível apontar que Helvécio ingressou na instrução publica sergipana em 1909, quando passou a atuar como Delegado Fiscal do Governo Federal junto ao Atheneu Sergipense. Em 1910 muda-se para Aracaju, instalando seu consultório, e ano seguinte, torna-se lente da Escola Normal de Aracaju.

Com ingresso na área de instrução de Sergipe, Helvécio de Andrade, além de continuar a exercer a profissão de médico, assume também a direção da Escola Normal e da Escola Anexa. Destaca-se nesse cenário que anos seguintes, ele veio a tornar-se diretor da Instrução Pública em três gestões (1914 – 1918; 1926 – 1927; e 1930 – 1935). Helvécio de Andrade morreu em 1940, deixando contribuições para diferentes áreas, política, social, educacional e médica.

A atuação de Helvécio de Andrade se insere a um contexto social de renovação decorrente da Proclamação da República em 1889. A época republicana instaurada difundiu em Sergipe, assim como em outros estados, a necessidade de mudanças com anseio de modernização e desenvolvimento. Sergipe, nesse período, vivia em desvantagem, pois a política imperial favorecia as grandes províncias, tais com Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Importante ressaltar que esse período, no final do século XIX e início do Século XX, no âmbito educacional, estava em evidência circulação de ideias advindas da Pedagogia Moderna com o Método Intuitivo. Como expõe Souza (2009), a adoção do Método Intuitivo foi um dos símbolos principais em termos da modernização do ensino público no início do período republicano. Protagonizado por Rui Barbosa no Brasil, seus ideais realçava o ensino pelas coisas, “somente esse método poderia triunfar sobre o ensino verbalista, repetitivo, enraizado na memória e nas abstrações inúteis praticado nas escolas de primeiras letras do Império” (SOUZA, 2000, p. 13).

A partir da década de 1920, o ideário da Escola Nova começa a ocupar um papel importante, “determinando a configuração do campo pedagógico, as políticas educacionais, a profissionalização dos educadores e o engendramento de práticas educativas” (SOUZA, 2009, p. 169). A Escola Nova no Brasil contou como propulsor Lourenço Filho. Entre as propostas destacam-se novos fins e novos meios de aplicação científica, que visam uma nova organização dos estabelecimentos e a transformação dinâmica do ensino passivo para o ensino ativo.

Esse, como destaca Lourenço Filho (1930), deve ser baseado nos interesses naturais da criança, no trabalho em cooperação e globalizado, numa escola do fazer e do praticar a vida ao invés da escola do ouvir. Acrescenta-se que entre os propósitos deste novo ideário consta a pedagogia científica, que adota os processos e métodos da psicologia experimental, que destaca a observação, a experiência do cotidiano e os centros de interesse da criança com o ensino moldado pela intenção de aprender e com uso de atividades referenciadas na vida.

Sob esse cenário, o início da República foi demarcado por desafios no sentido a responder o novo ideário de um país que pregava o progresso. Como destaca Oliveira (200-), em Sergipe, assim como no Brasil, o ensino elementar apresentava-se precário, com insuficiência de atendimento e funcionamento.

Importante frisar de acordo com Oliveira (2004), que a implantação do regime republicano em Sergipe, não teve resistência por parte dos políticos que estavam no comando. Porém, no estado sergipano os primeiros anos republicanos, até os anos de 1930, foram marcados pela passagem de 44 presidentes[1] à frente da administração pública do Estado, o que resultou em várias e sucessivas reformas para a instrução pública. De acordo com Oliveira (200-), durante a primeira república, vinte e sete atos foram implantados na tentativa de alterar as condições de funcionamento da instrução pública em Sergipe.

O período republicano, ao que concerne instrução pública sergipana, é demarcado por fases distintas, como cita Oliveira (200-):

 

O estudo dos processos históricos que determinaram a organização do ensino público primário no Estado de Sergipe indicou três principais características: de 1889 a 1910, um momento inicial de euforia e, logo em seguida, sucessivas divergências na condução da instrução publica; de 1911 a 1922 a criação dos primeiros grupos escolares e das escolas noturnas, e por fim de 1923 a 1930, os reflexos em torno do movimento reformista, onde novas propostas foram delineadas no sentido de responder aos problemas persistentes da instrução pública no Estado (OLIVEIRA, 200-, p. 2).

 

Na primeira fase, como ainda expõe Oliveira (200-), o Estado se defrontou com desafios em relação à insuficiência das condições de funcionamento e atendimento das instituições para que respondessem ao ideário do país republicano dado pelo progresso e civilização. Nesse período quatorze atos foram implantados para organizar a instrução primária no Estado.

Em 1911, no governo de José Rodrigues da Costa Dória, como ainda dita a autora, uma nova proposta de organização de ensino primário é estabelecida com a inauguração do modelo de grupos escolares.

 

A implantação dos grupos escolares incorporava o projeto político civilizador da República e a possibilidade de corrigir as deficiências das escolas isoladas, consideradas ineficientes, com precário atendimento, e vulnerável ao poder político local dos municípios e povoações onde eram situadas (OLIVEIRA, 200-, p.7).

 

Salienta-se que esse modelo foi implantado de forma pioneira no Estado de São Paulo, e se disseminou como referência para outros estados brasileiros. Acrescente-se ainda que o modelo grupo escolar “[...] diferenciava-se da escola isolada por proporcionar em um só prédio, ensino graduado com classes homogêneas e vários professores” (OLIVEIRA, 200-, p.8).

Com o estabelecimento dos grupos escolares, reformas foram elaboradas de modo a cumprir os objetivos da época republicana, de levar educação a classes populares. “As reformas que aconteceram em Sergipe dirigidas à instrução pública nos primeiros anos de implantação dos grupos escolares, tentaram incorporar uma nova modalidade de atendimento às populações menos favorecidas[2]”. (OLIVEIRA, 200-, p.12).

Assim, um ano após sua inauguração, no governo de Antônio José de Siqueira Menezes, é instituído o primeiro programa de ensino, assinado por Baltazar Góes[3] e denominado Programa para o Ensino Primário, especialmente para os grupos escolares.

O programa de Baltazar Góes, o pioneiro da época republicana em Sergipe, apresentou ideais de ensino que se articulava a preceitos que circulavam no contexto nacional, relacionados ao método intuitivo.

Contudo, nesse mesmo período Helvécio de Andrade começou a ganhar representatividade na área da instrução sergipana. Como destaca Valença (2006), o governo de Rodrigues Dória, ao reconhecer que era necessário instaurar padrões de ensino de modo a suplantar o modelo preconizado com métodos atrasados e docentes sem competência e aptidões, propusera uma reforma com diferentes ações. Entre elas, como expõe Oliveira (2008) o decreto nº 563 que estabeleceu: a criação dos grupos escolares; o ensino obrigatório; a criação do fundo escolar; a instituição do método intuitivo nas escolas primárias; e mudanças no curso Normal.

Ao que concerne ao curso Normal, o referido decreto não só altera o número de cadeiras, mas também inclui à cadeira de Pedagogia, estudos de Psicologia, Pedologia e Noções de Higiene Escolar. Assim, como ainda destaca Oliveira (2008) para atender as exigências da reforma imposta pelo referido governo, mediante o Ato N. 85 de 5 de setembro de 1911 (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/229434), Helvécio de Andrade foi nomeado por Rodrigues Dória lente da Cadeira de Pedagogia, Pedologia e Higiene Escolar da Escola Normal. Sua função era assumir a cadeira, e com a pretensão de executar as diretrizes definidas pela reforma, coube a Helvécio organizar a Cadeira que iria ocupar.

Com seu ingresso na área, à época por indicação do então presidente José Siqueira de Menezes, Helvécio foi representar o estado no 3º Congresso de Instrução Primária e Secundária, realizado na Bahia em 20 e julho de 1913. Após sua participação congresso, Helvécio de Andrade expusera problemas e desafios com sugestões e críticas em relação a instrução pública sergipana, através de relatório apresentado ao presidente do estado.

Como acrescenta Valença (2006), a participação de Helvécio de Andrade no referido congresso de instrução, foi a oportunidade “de demonstrar a sociedade aracajuana seu empenho pela educação, mas, além disso, foi a garantia de consolidar-se no campo” (p. clxxxiii). Seu reconhecimento foi marcado no momento em que, com a sua volta da Bahia, numa recepção, o presidente Siqueira de Menezes o nomeou Diretor da Instrução Publica[4], cargo que exerceu cumulativamente ao de diretor da Escola Normal e do Grupo Escolar anexo destinado à prática das normalistas, e o desempenhou até de 1918, final da administração do General Valladão[5] (VALENÇA, 2006).

De acordo com Valença (2006), em 1927 o professor Helvécio de Andrade, membro do conselho diretor da Associação Brasileira de Educação e fundador da Associação Sergipana de Educação – ASE, apresentou a Uniformização do Ensino Primário, aprofundando a tese que havia apresentado num congresso que ocorreu na Bahia em 1913 ao participar da Conferência Nacional de Educação em Curitiba, representando Sergipe. Em 1929 toma posse na Academia Sergipana de Letras como sócio acadêmico.

Suaexpertise na educação já era evidente, após o ingresso como lente da Escola Normal, período que levou a escrita, em 1913, do “Curso de pedagogia: lições práticas elementares de Psicologia, Pedologia, Metodologia e Higiene escolar” (https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/133883). Ao ser convidado para se tornar chefe de instrução pública sergipana, Helvécio de Andrade torna-se responsável pela assinatura dos programas de ensino para a escola primária sergipana. Com a passagem em três gestões no referido cargo (1914 – 1918; 1926 – 1927; e 1930 – 1935), sete programas foram publicados em Sergipe, desses, quatro foram assinados por Helvécio de Andrade (1915, 1916, 1917, 1931).

Importante destacar que ao ser nomeado lente da cadeira de Pedagogia, Pedologia e Higiene Escolar da Escola Normal, Helvécio de Andrade começou a publicar textos com intenção de ativar o interesse pela Ciência da Educação. Entre outros aspectos, seus textos destacavam a necessidade de despertar, no aluno, as vantagens do saber e de cultivar a inteligência (LOBO, 2018, p.69).

Um exame sobre essa produção, manual e programas de ensino, expõe características específicas para o ensino e formação de professores de matemática. Haja vista, nesse contexto, por exemplo, ao pensar na preparação das normalistas, Helvécio de Andrade publica a obra Curso de Pedagogia em 1913, que pelo subtítulo tratava de lições práticas elementares de psicologia, metodologia e higiene escolar, professadas na Escola Normal de Aracaju.

Pelas palavras do autor, neste manual,

[...] encontrarão os interessados os elementos de Psychologia pedagogica, Pedologia, Methodologia e Hygiente Escolar, elementos que, desenvolvidos pelo estudo e pela observação, ou pelos mestres nas respectivas cathedras, darão ao professor primário os conhecimentos indispensáveis á perfeita compreensão da sua difficil tarefa (ANDRADE, 1913, p. I).

Ao que concerne à organização, destaca-se que a obra composta por 123 páginas, dividido em quatro partes (Lições práticas elementares de psicologia, Pedologia, Metodologia e Higiene escolar, sendo a primeira composta de 19 lições; a segunda com oito lições; a terceira com sete lições; e a quarta com seis lições) expunha um conjunto de discussões em distintos contextos, seja sobre pedagogia, psicologia, metodologia, recursos, métodos etc.

Assim, momentos pontuais direcionados explicitamente para o ensino de matemática destaca a necessidade de materiais, ao mencionar que “No ensino das mathematicas é preciso dispor de contadores mecânicos, de systemas de pezos e medidas, solidos geometricos, etc” (ANDRADE, 1913, p. 93).

De modo específico, sobre o ensino de Aritmética, o manual apresenta:

Arithmetica

Como todo o ensino primário, o da arithmetica deve ser intuitivo no seu começo, nunca decorado.

O alumno deve ser levado a encontrar a definição e a formular a regra.

Ha diversos aparelhos inventados para o ensino pratico da arithmetica, sendo os principaes os contadores mecânicos, o fracciometro, a caixa de Carpentier, o arithmometro de Ares, etc

Manejando os contadores mecânicos os alunos aprendem a contar, somar, diminuir, multiplicar, sem necessidade de estudos decorados.

Somente depois de bem encaminhados nestas operações deverão dar de cór as taboadas e estudar as regras da arithmetica (ANDRADE, 1913, p. 105, grifos nossos)

Em síntese pode-se dizer que essa obra, dividida em quatro partes, entre os pontos discutidos por Andrade (1913) para a formação de professores – as normalistas, torna-se um instrumento de divulgação para o ensino primário pelo método intuitivo.

Ao examinar os programas, no que se refere ao ensino de matemática, algumas peculiaridades são observadas. Helvécio de Andrade sugeria o ensino de matérias tais como Aritmética e Desenho, a primeira com o ensino dos números e suas operações e a segunda, com a presença de saberes geométricos, especificadamente o desenho geométrico.

Importante evidenciar que as três primeiras publicações dos programas assinados por Helvécio de Andrade (1915, 1916, 1917[6]) destacam sua ligação ao método intuitivo, até então divulgado à época. O programa de 1931 reforça o método intuitivo, mas também apresenta ideias da Escola Nova.

Trindade (2020), ao fazer um exame em relação a Aritmética das publicações de 1915 (https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/124882) e 1916 (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/116813), destacou que Helvécio reconfigurou a ordem dos conteúdos propostos no programa anterior (1912), assim como enfatizou o uso de dispositivos didáticos. Como apresenta a referida autora, Helvécio de Andrade configurou uma aritmética a/para ensinar intuitiva. Haja vista, como exposto nos programas, sua graduação é proposta por preceitos intuitivos com ordenação que inicia por conteúdos simples com orientação de uso de sementes, palitos, botões, pedras para o ensino de números e parte para os conteúdos mais complexos, tais como frações ordinárias e decimais, e divisibilidade. Além disso, entre as suas recomendações, nota-se o destaque para o uso de acessórios didáticos como as Cartas de Parker, Contadores Mecânicos e os Cadernos de Dordal (TRINDADE, 2020).

Em continuidade ao olhar para Aritmética, o programa de 1917 (http://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/103591) mantém a orientação de um aritmética a/para ensinar intuitiva com a utilização das cartas de Parker, dos contadores mecânicos, dos pesos e medidas como materiais, mas expõe alterações na ordem do ensino, assim como sugere o manual de Arithmetica elementar de Trajano e os cadernos de Ramon Rocca. Para uso do professor sobre o método intuitivo, Helvécio de Andrade sugeriu a obra Lições de Coisas de Rui Barbosa.

No que se refere aos saberes geométricos, o seu ensino era mediado pela matéria Desenho, a qual apresentava uma proposta de ensino de desenho geométrico. Os programas de 1915 e 1916 inicialmente expõem uma ordem de ensino de iniciar pelas linhas. Porém, no programa de 1917 a graduação dos conteúdos é alterada, com a orientação que não se inicie o ensino por linhas e que seja obedecida a ordem ditada “Traçar no quadro negro e depois no papel circunferências, pyramides, cubos, triangulos, angulos, linhas-rectas, curvas, quebradas, espiraes, parallelas, etc” (ANDRADE, 1917, p. 13).

Para o desenho geométrico, Helvécio sugere como materiais os cadernos de Olavo Freire e o manual Desenho Linear de Abílio Cezar Borges. Importante destacar que além do desenho geométrico, também se apresentava entre as prescrições o desenho natural – em que se propõe que o aluno reproduza em seu caderno o desenho de algo posto a sua frente, tais como frutas, flores, animais, etc.

Ao avançar para o exame do próximo programa assinado por Helvécio de Andrade, o de 1931 (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/116817), percebe-se algumas mudanças. Ao verificar com detalhes para Aritmética, percebe-se um programa reduzido, que em síntese apresenta uma graduação que toma a ordenação o ensino de números, operações e frações. O programa em questão continua a sugerir as cartas de Parker e acrescenta destaque para os cálculos mentais. No que se refere a matéria Desenho, também de modo reduzido, exibe entre as prescrições o desenho do natural e desenho geométrico (esse proposto a partir do terceiro ano), todavia acrescenta o desenho por invenção.

Como se observa, o programa em questão apresenta um esboço de conteúdos reduzido. Como destaca o autor, o documento denomina-se por um Programa “Mínimo” da Escola Nova. Uma justificativa para tal redução é que ao se propor desse modo, os professores teriam liberdade e autonomia para trabalhar baseado nas linhas gerais do método intuitivo analítico. O professor desse modo pode “[...] adaptar, crear mesmo, processos mais naturais e eficientes” (ANDRADE, 1931, p. 14).

Na direção dessa observação, Helvécio de Andrade acrescenta a importância do uso de projetos com centros de interesse, que baseado em Decroly destaca que seja criado um laço entre as matérias, de modo a fazê-las convergirem para o mesmo ponto, o centro.

Importante também mencionar, que programa de 1931, apresenta detalhes sobre a organização dos horários de aulas, assim como possíveis trabalhos para os alunos, nesse ponto faz menção ao uso do cálculo mental e os centros de interesse. Sobre outros manuais, o programa destaca que o livro Arithmetica elementar seja adotado para leitura dos alunos apenas no último ano, com objetivo de fixar os conteúdos e não de decorar.

Helvécio de Andrade, a partir da sua produção, sistematizou matemáticas para o ensino e para a formação. Sua expertise mediante elaboração de manual e programas[7] fez circular sugestões de matérias, conteúdos e suas graduações para o ensino, materiais e manuais didáticos e orientações para professores de matemática.

No que se refere aos manuais e materiais didáticos, foi sugerido as Cartas de Parker, Contadores Mecânicos, os Cadernos de Ramon Dordal, manual de Arithmetica elementar de Trajano, a obra Lições de Coisas de Rui Barbosa, os cadernos de Olavo Freire e o manual Desenho Linear de Abílio Cezar Borges.

Mediante as orientações apontadas pelos documentos sob assinatura de Helvécio de Andrade, nota-se, entre outras contribuições, uma produção de saberes que sistematizaram matemáticas a/para ensinar. Com a expertise reconhecida, Helvécio de Andrade a partir dos diferentes programas para instrução pública configurou graduações de conteúdos e orientações para o ensino de matemática, com propostas ora baseadas em preceitos do método intuitivo (os programas de 1915, 1916 e 1917) e ora com orientações baseadas na liberdade e autonomia para os professores (programa reduzido da Escola Nova de 1931).

 

Referências

 

ALVES. E. M. S. O ensino da Aritmética proposto por Baltazar Góes. Anais do III CBHE, eixo 04, 2004.

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ANDRADE, Helvécio. Programma para o curso primário nos Grupos Escolares e Escolas Isoladas do Estado de Sergipe 1915. Typ do “Estado de Sergipe”. 1915. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/124882. Acessado em: 25 de abr de 2021.

ANDRADE, Helvécio. Programma para o curso primário nos Grupos Escolares e Escolas Isoladas do Estado de Sergipe 1916. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/116813. Acessado em: 25 de abr de 2021.

ANDRADE, Helvécio. Programma para o curso primário nos Grupos Escolares e Escolas Isoladas do Estado 1917. Imprensa Official. Disponível em: http://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/103591. Acessado em: 27 de abr de 2021.

ANDRADE, Helvécio. Programma para o curso primário 1931. Imprensa Official. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/116817. Acessado em: 22 de abr de 2021.

LOBO, M. D. S. Balthazar Góes, Helvécio de Andrade e Ávila Lima: três professores e suas estratégias na difusão do método intuitivo em Sergipe (1890/ 1930) Tese. Aracaju: UNIT, 2018.

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Notas

 

[1] Importante mencionar que em dada época, a nomenclatura Presidente era usada para os Governadores.

[2] Mais informações sobre a escola pública primária na Republica em Sergipe em Oliveira (2004).

[3] Baltazar Góes foi uma personalidade atuante na educação de Sergipe. De acordo com Alves (2004), Baltazar de Araújo Góes nasceu em 30 de outubro de 1853, na Província de Sergipe, especificadamente na região leste do estado, no munícipio de Itaporanga. No Atheneu Sergipense cursou Humanidades e entre o período de 1871 a 1872 ensinou adultos no curso noturno. Em 1882, foi promovido à cadeira de Francês e Aritmética na cidade de Laranjeiras, onde também ministrou Geografia Geral e Astronomia no Atheneu Sergipense.

[4] Não foi possível identificar um documento de nomeação, porém, assim como Valença (2006), Oliveira (2008) menciona que a nomeação de Andrade como chefe de Instrução Publica ocorreu após o retorno do congresso.

[5] Nascido em Vila Nova (SE) em 1849, Manuel Valadão foi militar com diversas atuações na política sergipana. Atuou como Deputado Federal nos períodos de 1891-1893 e 1903 - 1907; Presidente de Sergipe nos períodos de 1894-1896 e 1914-1918; e teve dois mandatos como Senador de Sergipe em 1907-1914 e 1919-1921;

[6] O programa de 1916, ao que parece, trata-se de uma republicação do programa de 1915.

[7] A partir de pesquisas já realizadas sobre Helvécio de Andrade, como Oliveira (2008) e Valença (2006), destaca-se que o médico-educador tem um conjunto de produções de obras assim como artigos divulgados em São Paulo e Sergipe por meio de jornais, revistas, boletins, etc. seja destinados à área médica seja à área de educação.

 

Deoclecia de Andrade Trindade