ALDA LODI

ALDA LODI

ALDA LODI (1898 – 2002)

 

Alda Lodi nasceu no dia 17 de dezembro de 1898, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Era uma dentre os oito filhos de Luiggi Lodi e Anunciata Mora Lodi. Normalista, formou-se na Escola Normal da Capital em 1915, onde também iniciou sua trajetória profissional: primeiro como professora contratada no grupo escolar anexo (1916), depois na regência provisória das classes anexas (1919) e finalmente como professora primária da primeira classe mista (1925). Entre 1927 e 1929, especializou-se em Metodologia da Aritmética no Teachers College da Universidade de Columbia em Nova Iorque. É a partir da missão pedagógica da qual fez parte durante a sua especialização que começaremos a seguir os caminhos que nos levam ao reconhecimento de Alda Lodi como expert (HOFSTETTER; VALENTE, 2017).

Em agosto de 1929, quando retornou ao Brasil, tornou-se professora da Escola de Aperfeiçoamento de Belo Horizonte (EA), ocupando a cadeira desta mesma disciplina. Em 1946, com a incorporação da Escola de Aperfeiçoamento ao Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG), fez parte do corpo docente do curso de Administração Escolar desta instituição, ocupando a mesma cadeira. Em 1951, tornou-se diretora do Curso de Administração Escolar (FONSECA, 2010; REIS, 2014). Além de sua atuação no campo da formação de professores, Alda Lodi foi autora dos Programas de Aritmética e Geometria do Ensino primário de Minas Gerais que vigoraram do começo da década de 1940 até a primeira metade da década de 1960.

A viagem de Alda Lodi e sua atuação na Escola de Aperfeiçoamento se situam dentro do contexto de reforma educacional empreendido por Francisco Campos a partir de 1926, no governo de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, em Minas Gerais. O projeto pretendia modernizar o ensino do estado considerando os debates suscitados pelos expoentes da Escola Nova, muitas vezes evocados a partir da ideia de “Escola Ativa” (VIDAL; FARIA FILHO, 2002)[1]. Dentre as medidas tomadas estava o estabelecimento de um novo regulamento do Ensino Primário (DECRETO n. 7970A, 14/10/1927, https://dspace.almg.gov.br/handle/11037/4745), que entrou em vigor em 1928, e a reforma do Ensino Normal (DECRETO n.9450, 18/02/1930, https://dspace.almg.gov.br/handle/11037/4744).

O regulamento do ensino primário de 1927 determinava que “os programas das matérias que constituem o curso primário devem ser organizados de acordo com os princípios constantes nos artigos 249 a 253” (DECRETO n. 7.970A, 14/10/1927). De forma resumida, esses princípios destacavam a importância de que a educação na escola primaria fosse vista como “um fim em si mesma” (p.1215) e não como uma preparação para os demais níveis de ensino, e de que ela fosse voltada para o interesse da criança, conciliando as particularidades de cada uma delas com o caráter coletivo da instrução pública. Ao mesmo tempo, destacava a dimensão social dos processos de ensino considerando que, embora focado nos “interesses atuais” (p.1216) dos alunos, cabia a escola “preparar a criança para viver na sociedade a que pertence e compreender a sua participação na mesma” (p.1215). Esses princípios foram explorados posteriormente em espaços como a Revista do Ensino, e em cursos de aperfeiçoamento voltados para professores e técnicos do ensino.

No projeto de Francisco Campos, os professores desempenhavam um papel fundamental porque eram, em última instância, os responsáveis pelas mudanças nas práticas do ensino. Por isso, diversas instâncias de formação e qualificação foram pensadas para esses profissionais: entravam aí os cursos de curta duração, os artigos publicados na já mencionada Revista do Ensino, e a criação de uma escola de ensino no nível pós-normal: a Escola de Aperfeiçoamento (KULESZA, 2019). É precisamente nesta última instituição já prevista no decreto de 1927, mas que só começou a funcionar em 1929, que Alda Lodi passou a trabalhar em agosto deste mesmo ano.

Ainda em 1927, Lodi foi uma das quatro professoras escolhidas para uma missão pedagógica nos Estados Unidos (FONSECA, 2010).[2] O projeto aproveitava o convite para uma temporada de estudos feitos por Isaac Kandel, diretor associado do International Institute Teachers College, à Ignácia Guimarães, então professora da Escola Normal Modelo, em 1926. Em troca da licença com vencimentos concedida por Francisco Campos, Guimarães deveria chefiar uma missão pedagógica da qual fariam parte outras quatro professoras: Lúcia Casassanta, Amélia de Castro Monteiro, Benedicta Valadares e Alda Lodi. A estas cabia se especializar nas diferentes áreas do ensino durante os dois anos de estudo no Teachers College da Universidade de Columbia. O objetivo mais geral da qualificação era o de que as professoras auxiliassem o projeto de reforma de Campos a partir das inovações apreendidas na viagem.

No Teachers College, Alda Lodi especializou-se em Metodologia da Aritmética e Organização de Bibliotecas Escolares. Durante os dois anos de sua formação neste College (1927-1929), Alda Lodi cursou disciplinas de formação geral, como Filosofia da Educação e Psicologia da Educação.[3]Estas foram ministradas por professores já conhecidos pelas pesquisas e debates educacionais que desenvolviam: William Kilpatrick e Arthur Gates, respectivamente. Outras disciplinas estavam ligadas ao currículo de “professores, supervisores e administradores em Escolas Normais e Teachers Colleges”. Este era o caso das disciplinas sobre a reconstrução do currículo no ensino primário e sobre a formação de professores.[4]Pelo menos duas disciplinas estavam ligadas à formação oferecida aos estudantes estrangeiros pelo International Institute, e situadas por eles no campo da educação comparada: Educação Norte-americana e Movimentos na Educação Norte-americana.[5]Finalmente, das cinco disciplinas que Alda Lodi assistiu que estavam ligadas à sua especialização em Metodologia da Aritmética,[6]quatro foram ministradas por Clifford Upton.[7]

Das convocações oficiais que vamos mencionar aqui, a da viagem de especialização pela Secretaria de Negócios do Interior é a primeira recebida por Lodi. Além da qualificação em si, ela tinha um objetivo bem definido: cabia as professoras selecionadas ajudar a estruturar o funcionamento da Escola de Aperfeiçoamento de Belo Horizonte, vista como lugar estratégico para consolidação da reforma educacional empreendida por Francisco Campos (PRATES, 1989; KULESZA, 2019). À Alda Lodi coube ministrar os cursos de aperfeiçoamento de professores ligados à cadeira de Metodologia da Aritmética, além de estabelecer o currículo desta disciplina.

Esta responsabilidade inicial vai se desdobrar em outras, ligadas ao mesmo campo de conhecimento, como veremos ao longo deste verbete. Além de considerar o quadro mais amplo das missões pedagógicas, as apropriações que Lodi faz dos conhecimentos de sua especialização foram exploradas a partir dos documentos presentes no seu arquivo pessoal, a exemplo do caderno de suas alunas (FONSECA et. al., 2014; REIS, 2014; BERTINI, 2019; BARROS; OLIVEIRA, 2016). Eles são considerados indícios da formação pensada por ela para os professores de Minas Gerais.

De acordo com Maria Helena Prates (1990), as professoras formadas na Escola de Aperfeiçoamento voltavam para suas escolas de origem como orientadoras de ensino (ou diretoras) e ficavam responsáveis por instituir as inovações que haviam aprendido em sua formação, ajudando e orientando os professores. Em depoimento sobre a formação da EA, Imene Guimarães afirma que foram essas professoras que “realmente reformaram o ensino em Minas Gerais” (GUIMARÃES, s.d.). Nestas circunstâncias o trabalho desenvolvido por Alda Lodi no campo da educação matemática nos informa também sobre as dinâmicas de circulação dos saberes para ensinar em Minas Gerais, a partir da formação de professores. Tanto Alda Lodi quanto suas alunas funcionavam como “sementes” (PRATES, 1990, p.13) das inovações preconizadas por Francisco Campos. Enquanto Lodi partia do debate que presenciou no Teachers College, suas alunas partiam das apropriações feitas por ela do debate norte-americano. Nos dois casos, era preciso pensar a teoria a partir do trabalho a ser desenvolvido nas escolas mineiras.

Além das aulas nesta instituição, Lodi ministrou palestras sobre as atividades desenvolvidas na EA, cursos de aperfeiçoamento promovidos pela secretaria de Educação de Minas Gerais, foi membro da Comissão Técnica do Conselho Superior de Instrução de Belo Horizonte (1932-1937) e participou da comissão do Plano Nacional de Educação (1937). Em Salvador, fez parte da equipe que ministrou o “curso de férias para professores, diretores e inspetores – ensino primário e normal” em 1938 (FONSECA, 2010; RABELO, 2016).

Tanto na EA e no IEMG quanto nesses espaços, Alda Lodi discutia como os princípios escolanovistas se relacionavam com o ensino de Aritmética e Geometria: a graduação de dificuldade das combinações numéricas e das operações de subtração; os “testes diagnósticos e o ensino corretivo” (CURSO... Revista do Ensino, p. 45, https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/128283); “a importância da formação das conexões em aritmética”; e o “conhecimento, organização e aplicação” dos testes de Aritmética e Geometria (REIS, 2014, p. 38) são alguns dos exemplos que podemos mencionar.

Até aqui, é possível afirmar que Lodi foi figura estratégica na construção de uma matemática para ensinar em Minas Gerais, atuando no campo da especialização de professores e mediando os processos de adaptação do ensino primário aos parâmetros da reforma que entra em vigor em 1928.

No entanto, mais do que mediar essas relações a partir da formação de professores, nos interessa ressaltar os espaços onde Lodi formalizou essas orientações a partir de diretivas oficiais, o que sinaliza sua posição como expert. Sobre este último aspecto, cabe acrescentar que foi de sua autoria o programa de Aritmética e Geometria da Escola de Aperfeiçoamento, publicado em 1937. Com a reforma do ensino de 1946, a EA foi incorporada ao recém-criado Instituto de Educação de Minas Gerais como curso de Administração Escolar. Ali, Lodi continuou suas atividades de ensino, tornando-se diretora do curso em 1951 (REIS, 2014).

No que diz respeito às convocações relacionadas à elaboração dos programas do ensino primário de Minas Gerais, Alda Lodi é autora de pelo menos dois programas de Aritmética e Geometria. Estes foram originalmente publicados em 1941 (Programa em experiência – ensino primário, https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/222247) pela Secretaria de Educação e Saúde e em 1953 (Programas – ensino primário elementar, https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/104807 ), pela Secretaria de Educação. Deste modo, Alda Lodi não só discute uma matemática para ensinar com suas alunas da EA e do IEMG, mas sistematiza esses saberes a partir das prescrições destes programas, que escreve a pedido das instâncias responsáveis por definir as orientações voltadas para os professores do ensino primário em Minas Gerais.

Embora a introdução do Programa em experiência (1941) mencione apenas que a Secretaria de Educação constituiu “comissões de marcado valor pedagógico” para a elaboração do documento, a autoria de Lodi é atestada pelas pistas deixadas em seu arquivo pessoal. A primeira é uma das versões do currículo de Lodi com data de 12/08/1942. O documento menciona que ela é “organizadora dos programas de Aritmética e Geometria do ensino primário, atualmente em vigor no estado” (CURRICULUM vitae, Envelope 39a, APAL). No arquivo de Lodi também encontramos a versão impressa do programa, com suas marcas de leitura e revisão, e outras versões da introdução deste programa, ainda datilografado. Alguns deles foram reescritos e rasurados, mas a versão melhor acabada foi digitalizada por Diogo Reis e é um dos anexos de sua tese de doutorado (REIS, 2014). A versão é intitulada “Aritmética e Geometria: considerações sobre o ensino de Aritmética e Geometria no curso primário”, mesmo título do programa impresso. Este texto incorpora as alterações feitas por Lodi no exemplar de 1941 e o resultado dessas modificações pode ser visto no programa publicado posteriormente, já em 1953 (MG, 1961).

A concepção de que o programa de 1941 fosse um programa “em experiência” é explicada na introdução do documento. A ideia era que, posteriormente, as recomendações ali presentes fossem revistas a partir da vivência dos professores, que deveriam opinar sobre “seu valor educativo e perfeita exequibilidade” (MG, 1941, p.12). Assim como no trabalho que já vinha desenvolvendo,

o programa escrito por Lodi e publicado em 1941 traz prescrições que acompanham a perspectiva da valorização da experiência infantil característica da Escola Nova, centrada na questão do interesse, com recomendações específicas para o ensino de Aritmética e Geometria. Deste modo, embora em 1928 as diretrizes gerais do ensino estivessem definidas a partir do Decreto de 1927, é neste programa que se estabelecem de forma detalhada as “orientações metodológicas para o ensino” de matemática, bem como as “indicações de como o trabalho deve ser graduado”, sinalizando o caráter inovador do programa se considerarmos os aspectos apontados por Valente (2019, p. 56).

Tanto os objetivos gerais quanto os objetivos específicos para cada ano escolar deste programa apresentam preocupações em relação à organização do raciocínio infantil e à graduação dos conteúdos, respeitando a capacidade de aprendizagem dos alunos. Aqui entra em cena a ideia de treino relacionada ao desenvolvimento de “hábitos mentais ou conexões”, como afirma Thorndike (SANTOS, 2006, p.173) ou de promover “associações úteis”, como afirma Lodi (MG, 1941, p. 90). Por isso, dentre os objetivos gerais do programa estão o de “desenvolver a capacidade de raciocinar e o hábito de raciocinar” (MG, 1941, p.93).

Ao longo do programa, cada ano especifica diferentes tipos de problemas matemáticos que a criança deve ser capaz de resolver, relacionados aos conteúdos ministrados. Assim, as dificuldades são graduadas não só em relação aos conteúdos, mas também em relação a uma conexão com as experiências mais imediatas dos alunos, chamadas nos programas de “atuais”. Este adjetivo parece dialogar com ideia de “interesses atuais” do Decreto de 1927 (DECRETO n. 7.970A, 14/10/1927, p. 1216). No primeiro ano as crianças devem resolver problemas de uma operação sobre assuntos “presos às suas experiências” (MG, 1941, p.97). Já no quarto ano, ainda que os problemas sejam trabalhados a partir de situações concretas, a noção de problemas “práticos” implica a relação com conteúdos que já não estão diretamente ligados ao cotidiano infantil, como o cálculo de juros. A isto se chama “os problemas que a prática exige” (MG, 1941, p.111). Este é um dos aspectos que sinaliza o modo como Alda Lodi vinculou o desenvolvimento do raciocínio matemático dos alunos com as diversas concepções que a palavra “interesse” ganha ao longo do programa.

O programa de 1953[8]é uma revisão do programa de 1941, como já afirmamos. De acordo com Odilon Behrens, secretário de educação de Minas Gerais, além de ouvir a opinião dos professores como já previa o programa de 1941, era preciso analisar: “seu conteúdo em relação aos interesses, tendências, possibilidades do escolar; às exigências do meio; às transformações que passou o regime político do país; às condições gerais de funcionamento das escolas” (MG, 1961, p.3). Apesar de manter grande parte da introdução do programa de 1941, Lodi esclarece algumas questões já colocadas, modifica a distribuição dos conteúdos por semestre (em lugar de especificar os meses) e faz as atualizações monetárias necessárias.

Assim, enfatiza a graduação dos conteúdos ao afirmar que é preciso “situar exatamente aquelas noções que podem ser ensinadas em cada idade” (MG, 1961, p.137) e explica que a dificuldade de um problema não deve ser associada ao número de operações exigidas para resolvê-la. De acordo com Alda Lodi “são as relações entre os fatos do problema que decidem da maior ou menor dificuldade da solução” (MG, 1961, p.139). Além disso adiciona, entre os objetivos gerais do ensino, o de “estudar a ‘causa’ dos erros (tanto nos problemas quanto nas operações)” (MG, 1961, p.141). Este programa é reeditado mais duas vezes: em 1957 e em 1961. Depois, em 1965, um novo programa escolar entra em vigor, este escrito por Rizza Araújo Porto.

Durante a década de 1960, Alda Lodi continuou trabalhando no IEMG, tornando-se catedrática de Metodologia de Aritmética e Geometria em 1963. Também integrou o Conselho de Instrução de Minas Gerais e em 1956 foi convocada para elaborar o projeto de reforma do currículo do ensino normal do estado (REVISÃO..., 1956, http://memoria.bn.br/docreader/843814/3720). Em 1960, aparecia como um dos autores do “ante-projeto de lei da Reforma da Lei Orgânica do Ensino Normal em Minas Gerais” (PRONTO..., 1960, http://memoria.bn.br/docreader/089842_07/13211). Em 1988 teve sua aposentadoria publicada no Diário oficial de Minas Gerais. Faleceu no ano 2000, com 102 anos (FONSECA, 2010).

 

Referências

 

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Fontes consultadas

 

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Notas

 

[1] Dos múltiplos desdobramentos que as reformas baseadas nos princípios escolanovistas tiveram, esses movimentos têm em comum o fato de destacarem a centralidade da criança no processo educativo e a adoção de métodos de ensino vinculados a processos de experimentação, o que lhes aproximava dos parâmetros de modernidade científica típicas do contexto em que se inseriam. O chamado “movimento dos testes” (MONARCHA, 2008) ganhou expressão também no ensino de matemática, como aponta Nara Pinheiro (2017) a partir da ideia de uma “aritmética sob medida”. Como Marta Carvalho (1998) explorou a partir das lutas no interior da ABE, os adeptos do escolanovismo não eram um grupo homogêneo e a questão da laicidade do ensino é um dos pontos nevrálgicos da questão. Neste sentido, a comparação que Diana Vidal e Luciano Faria Filho (2002) fazem entre os discursos vinculados no centenário da lei de instrução de 1827, que circularam no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, tratam dessa heterogeneidade. Como estes autores sinalizam, embora a reforma de Francisco Campos também tratasse de uma escola moderna, “não o faziam a partir de uma ruptura com a tradição e com o passado educacionais” (p.33). É a partir dessa conciliação entre inovação e tradição que a ideia de uma “escola ativa” se coloca, em lugar de uma “escola nova”. Embora a expressão “escola nova” circule entre os educadores mineiros, depoimentos como o de Imene Guimarães (ex-aluna da Escola de Aperfeiçoamento) reforçam essa contraposição. Em seu depoimento, Guimarães afirma que “nunca ouviu falar em Escola Nova” e sim em “Escola Ativa”, este sim o termo correto (GUIMARÃES, s.d).

[2] Como Nelma Fonseca (2010) afirma a partir da entrevista de Maria Helena Prates feita com Lúcia Casassanta, coube a Ignácia Guimarães escolher os nomes das professoras que iriam integrar a missão. A conexão mais direta que podemos apontar entre Guimarães e Lodi é que a primeira era diretora da Escola Normal Modelo, instituição em que Alda Lodi se formou e passou a trabalhar como professora. Para Fonseca, embora Lodi pertencesse a uma família “bem relacionada no governo e pertencente à elite mineira”, o trabalho que ela desenvolveu na Escola Normal teve “um peso importante” nesta escolha (p.150).

[3] 203V-204V: Philosophy of Education; 207B-208B: Educational Psychology. As informações sobre as disciplinas aqui mencionadas são fruto do cruzamento das informações presentes na dissertação de Nelma Fonseca (2010), no currículo de Lodi e nos anuários da Universidade de Columbia dos anos de 1927 e 1928. Sobre as disciplinas cursadas por Lodi em Columbia ver também: Fonseca, et. al. (2014), Reis (2014) e Rocha (2019).

[4] 233R: Reconstruction of the elementary curriculum; 227MG-228MG: Training school problems; 227W ou 228W: Technique of Teaching e S233 (A ou D): Teaching in primary grades. Estas duas últimas foram disciplinas ministrada nos cursos de verão do Teachers College (summer sessions).

[5] 209M-210M: American Education. Fundamental course for students and teachers from foreign lands e S209H: Recent Movements in American Education. Sobre o International Institute do Teachers College, ver: Warde (2016) e Rocha (2020).

[6] 167H. Teaching of Arithmetic. For teachers and supervisors in elementary schools; 167Hx. Teaching of Arithmetic. Supplementary to Education 167H;[6]168H. Modern Business Arithmetic; e 267B-268B. Advanced Course in Teaching Arithmetic. For Normal School instructors and elementary school supervisors. A exceção é 168N: Laboratory exercises in Junior High School Mathematics, ministrada por Carl Shuster.

[7] Clifford Upton formou-se na Michigan State Normal School em 1908 e na Universidade de Michigan em 1902. Foi aluno de David Smith em Michigan e seu orientando de mestrado na Universidade de Columbia. Começou a trabalhar no Teachers College em 1902, primeiro como diretor do departamento de matemática da Horace Mann e a partir de 1907 como professor do departamento de matemática do próprio Teachers College. Sua obra se concentrou no ensino de matemática, a exemplo do textbook que publicou com George Strayer em 1928, intitulado Strayer-Upton Arithmetics (SANFORD, 1957; DONOGHUE, 2001).

[8] Para uma análise das prescrições deste programa no campo da geometria consultar: Oliveira (2018). O programa foi reeditado em 1957 e 1961.

 

Ana Cristina S. M. Rocha