HENRIETA DYMINSKI ARRUDA

HENRIETA DYMINSKI ARRUDA

HENRIETA DYMINSKI ARRUDA (1936)

 

Henrieta Dyminski Arruda nasceu em Curitiba em 1936 e cursou a Escola Normal no Instituto de Educação do Paraná, formando-se no ano de 1954. Licenciou-se em Pedagogia pela Universidade Federal do Paraná. Atuou como docente do ensino público, onde foi professora de 1ª série no Grupo Escolar Tiradentes. Integrou o Grupo Núcleo de Estudos e Difusão do Ensino de Matemática – NEDEM, e com esse grupo produziu uma coleção de livros para o Ensino Primário, usando-os em suas aulas e orientando outros professores quanto ao seu uso. Participou da elaboração de vários documentos oficiais para o ensino e formação de professores vinculada ao Centro de Seleção, Treinamento e Aperfeiçoamento de Professores do Estado do Paraná (CETEPAR). Foi Assessora Pedagógica no Instituto de Educação do Paraná na década de 1970 e atuou como Coordenadora do Ensino de Matemática na Rede Municipal de Ensino de Curitiba, onde elaborou material para formação de professores entre os anos de 1974 e 1975. Sua atuação no ensino primário e na formação de professores foi relevante para o estado do Paraná atendendo as necessidades de modernização do ensino na década de 1960 e seguintes, conforme se constata neste texto.

Na década de 1960, o Paraná passou por diversas mudanças no que se refere à organização do sistema escolar. Logo no início assume o governo Ney Aminthas de Barros Braga (1961-1965), paranaense que esteve à frente de diversos cargos no cenário político. Em 1961, foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 4024/61) e, em função dessa lei, Jacundino da Silva Furtado que atuava como Secretário de Educação e Cultura do estado expressa, por meio de mensagem dirigida à Assembleia Legislativa, que uma vez tendo sido trazida para os estados a obrigação de organizar seus próprios sistemas de ensino, a educação deveria ser planejada de modo a obter o êxito esperado. Anuncia a instituição de centros de cursos de aperfeiçoamento de professores primários, urbanos e rurais. O Paraná, como os demais estados brasileiros, teve que adequar seus sistemas de ensino atendendo à lei federal (LDB) e uma das ações foi a ampliação do ensino primário de quatro para seis anos. Associada a uma política de progresso da nação, uma nova estrutura no sistema demandou orientações aos professores para adequação à LDB. Essas orientações ou formações se realizaram por meio de centros de treinamento, cursos, manuais e outros aparatos pedagógicos. Também nessa década, o Paraná inicia sua trajetória na modernização do ensino da matemática, denominado Movimento da Matemática Moderna, que abrange o ensino secundário, ginasial e primário. Dez anos depois nova lei federal foi promulgada, a Lei de Diretrizes da Educação 5692/71, e outras mudanças são propostas incluindo a junção do ensino primário ao ginasial num bloco agora denominado Ensino de 1º grau, gerando novas expectativas e novas ações. Esse período, em que os olhares se voltavam para mudanças na educação de base, mostrou-se propício para revelar personagens cujas práticas educativas trouxeram significativas contribuições para o ensino paranaense. É nesse contexto que apresentamos Henrieta Dyminski Arruda, professora que iniciou sua trajetória no ensino primário na década de 1960, que esteve vinculada ao Centro de Seleção Treinamento e Aperfeiçoamento de Professores do Estado do Paraná (CETEPAR)[1] e à escola de formação de professores normalistas. Atravessou as mudanças educacionais que se seguiram e contribuiu de modo ímpar com a educação paranaense, sobretudo com o ensino da matemática e formação de professores que ensinavam matemática.

Para compreender melhor as contribuições de Henrieta associadas aos saberes necessários para ensinar matemática, optamos por fazer uma breve análise em relação a materiais direcionados aos professores. O primeiro, o Manual do Professor Primário do Paraná (1963) e o segundo, a Revista Currículo (1977), elaborada pelo Centro de Treinamento do Magistério do Estado do Paraná, em que a Professora Henrieta participa da equipe de elaboração, ambos para a primeira série[2].

O Manual do Professor Primário do Paraná, volume I - 1ª série, de 1963 (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/209275), publicado no governo de Ney Braga, sendo Jucundino Furtado o Secretário de Educação e Cultura, traz recomendações quanto ao ensino de Matemática na 1ª série, sendo considerado um guia para a execução dos novos programas de ensino atento ao novo curso primário de seis anos. Na mesma linha está o O Manual do Professor Primário do Paraná – Zona Rural e Distritos, volume II - 2ª série (s/d) (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219782), no qual Henrieta é respomsável pela parte de Matemática. Para cada conteúdo há orientações Metodológicas ao Professor como forma de atender as necessidades da escola do meio rural. Para ambos, o Programa de Ensino conta com orientações metodológicas e sugestões de atividades. Em relação aos objetivos, observamos a preocupação em despertar o gosto e interesse pela matemática e utilizar com segurança, rapidez e exatidão às primeiras técnicas matemáticas. Despertar o raciocínio, a atenção e o espírito de observação, dotando as crianças de conhecimentos úteis para a resolução de problemas da vida prática. Na parte de orientações para o professor, o programa sugere um levantamento inicial sobre os conhecimentos prévios dos alunos e em seguida recursos para aprendizagem: motivação, objetivação e comparação. Aconselha o professor a utilizar histórias que levem o aluno a mobilizar os recursos mencionados, como por exemplo a comparação. O programa conta com muitas gravuras como sugestões de atividades abordando os recursos apresentados e indica o uso de materiais concretos como areia, água, copos, garrafas, colheres, que levem a criança a construir o conhecimento matemático, além de jogos abordando os conteúdos previstos. Inclusive, para todos os conteúdos previstos acima, há uma ou mais sugestões de atividades relacionadas.

Observamos na bibliografia que as ideias presentes neste programa se fundamentam em autores como Irene de Albuquerque (Metodologia da Matemática - 1951 e Jogos e Recreação, 1ª e 2ª séries - 1958); Edward Lee Thorndike (Nova Metodologia da Aritmética - 1963); Riza de Araújo Porto (Tentativa de Programa de Aritmética para a 1a série Preliminar); Revistas do Ensino do Rio Grande do Sul, além de outros autores de destaque.

Vale destacar que os manuais corroboram com as ideias escolanovistas, tendo em vista os autores que fundamentaram a obra. O manual apresenta os conteúdos de forma evolutiva, do mais simples para o mais complexo, respeitando a natureza do ser humano e o desenvolvimento do aluno. Analisando os Manuais e os autores que serviram como base para a escrita do mesmo, podemos perceber a metodologia da Escola Nova presente neste momento, porém num movimento de transição rumo à Matemática Moderna. Nesse período, Henrieta, ingressando no NEDEM, dedicou-se a estudar e produzir materiais pedagógicos que atendessem as ideias escolanovistas e no final dessa década constatamos suas primeiras contribuições à educação paranaense incluindo a bibliografia citada no Manual do Professor Primário do Paraná.

A Revista Currículo (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/201984), o segundo documento proposto para esse comparativo, traz elementos para o planejamento curricular na primeira série do ensino de 1º grau. Foi publicada em 1977, sob o governo de Jayme Canet Júnior, sendo que Francisco Borsari Netto era o Secretário de Educação e Cultura do Paraná. A Revista é uma produção da Secretaria do Estado da Educação do Paraná e tinha como finalidade a melhoria qualitativa da oferta educativa, elencando critério de referência e subsídios aos professores na perspectiva de direcionar as ações sobre o que deveria ser aprendido pelo aluno e, portanto, o que deveria ser ensinado pelos professores. Nesta análise, utilizamos a revista nº 24, ano 3, em que Henrieta D. Arruda fez parte da equipe que elaborou o material, sendo que coube a ela a parte relacionada à Matemática. Observamos que antes de tratar dos conteúdos específicos da Matemática, ou de Ciências, ou mesmo da parte de Alfabetização, a obra traz uma Fundamentação abordando 1) O Processo de Ensino-Aprendizagem, 2) Dimensão Cognitiva e Afetivo-Social, 3) Dimensão Psicomotora. Neste início já percebemos traços da Psicologia relacionando-se com o processo de aprendizagem, o que não estava presente de forma explícita no Manual para professores que analisamos anteriormente. A exposição das crianças a situações estimuladoras, num ambiente manipulado ou previamente preparado com objetivos determinados (instrucional), provocaria uma mudança de comportamento e assim poderia verificar se havia ocorrido o aprendizado. São mais de 50 páginas focadas em discutir aspectos psicológicos, cognitivos, motores, que influenciam na aprendizagem. A proposta da revista Currículo estava alinhada no sentido de atender os anseios políticos daquele momento, preparando o sujeito para o mundo do trabalho. O direcionamento era dado baseado em instruções (comportamento de entrada - situação estimuladora - comportamento final). As instruções se mostram, em boa parte, por meio de esquemas buscando planejar as ações educativas de modo racional minimizando as interferências, o que nos permite associar com a concepção pedagógica tecnicista. Em Saviani (2010, p. 381) “a pedagogia tecnicista advoga a reordenação do processo educativo de maneira objetiva e operacional”.

Ao apresentar a Matemática, a autora traz quatro esquemas compostos de conteúdos pertinentes a cada uma das quatro noções básicas que fundamentam a aquisição do conceito de número, essencial à aprendizagem, a saber: 1) Classificação; 2) Seriação; 3) Correspondência Biunívoca; 4) Conservação de Quantidade. Cada esquema apresenta os conteúdos respectivos a cada noção básica, de maneira sequenciada, de forma que cada conteúdo é pré-requisito ao conteúdo que lhe é imediatamente posterior. Num segundo momento os esquemas são detalhados, trazendo objetivos operacionais, com o que se espera do aluno, em relação aos comportamentos frente à Matemática. Para que tudo ocorra conforme planejado pela autora, ela propõe recomendações básicas aos professores. Num primeiro momento, ao iniciar a Matemática com as crianças, propõe que a sequência dos conteúdos deve ser cuidadosamente observada, para que o aluno apresente sempre os pré-requisitos necessários à aquisição do conteúdo a ser trabalho em seguida; sugere que essa iniciação à Matemática deve ser subsidiada por material concreto adequado a cada conteúdo, e por fim, indica o uso da nomenclatura matemática correta, pois o uso do vocabulário preciso ajuda a criança a pensar matematicamente e ao dominar este vocabulário ela consegue comunicar o que aprendeu de forma clara e precisa.

Após essas recomendações apresenta os conteúdos na ordem apresentada anteriormente. Trazemos para nossa análise o primeiro esquema apresentado por Henrieta: Classificações. Neste esquema a autora sugere abordar, seguindo uma ordem crescente de conhecimentos: a) Relações de: desigualdade e igualdade; b) Conjunto Universo - relação de pertinência; c) Formação de conjuntos de modos diversos: pela utilidade de elementos ou pela natureza de elementos, etc.; d) Conjunto unitário, vazio e subconjuntos; e) Operações com conjuntos - união, intersecção e diferença; f) representação de conjuntos (simbolização); g) Relações de: igualdade e desigualdade entre conjuntos; uso de sinais (igual a e diferente de).

Em seguida o programa segue a mesma linha ao apresentar a parte de Seriação, Correspondência Biunívoca e Conservação de Quantidade. Dando continuidade, a autora entra na parte em que detalha os aspectos esperados do aluno ao apresentar cada esquema. Volta para a Classificação, numerando 20 "comportamentos" ou aprendizagens que espera do aluno. Ao apresentar este esquema, espera-se que o aluno: colecione objetos, estabelecendo relações de diferença ou semelhança; colecione objetos de sua vivência, pela observação de atributos comuns; a partir dos atributos comuns saiba formar conjuntos; estabeleça relações quantificadoras comparando coleções; saiba comunicar matematicamente utilizando os termos adequados; identifique conjuntos unitários e de um só elemento e ainda saiba estabelecer as relações de pertinência dos conjuntos; ou seja, ela detalha o máximo de conhecimento que está relacionado aos conjuntos e o que se espera que o aluno aprenda neste esquema. Segue com a mesma metodologia ao apresentar os demais esquemas. Nesta revista não há sugestão de atividade, limitando-se à apresentação dos conteúdos e os comportamentos que se espera dos alunos frente à Matemática. Para Saviani (2010), na teoria pedagógica tecnicista “era mister baixar instruções minuciosas sobre como proceder com vistas a que os diferentes agentes cumprissem, cada qual as tarefas específicas [...]” (p. 382), o que nos leva a considerar que as orientações propostas apresentavam elementos consonantes com as ideias pedagógicas da época.

Embora a revista Currículo "Elementos para o planejamento curricular na 1ª série do 1º grau” não apresente uma referência bibliográfica, há outra revista Currículo, de 1979, também de autoria de Henrieta Dyminski Arruda, “Elementos para o planejamento curricular na 4ª série do 1º grau” (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219622e https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219625). O material de 1979 foi elaborado embasando-se em autores destacados na área de matemática, como Zoltán Pál Dienes (1965, 1970), além de autores com os quais Henrieta já está habituada em dialogar, como Charles D'Augustine, Clélia Tavares Martins, Rizza de Araújo Porto e ainda estudos produzidos pelo NEDEM. A obra apresenta conteúdos a serem ensinados, mas também dá atenção especial à metodologia que deveria ser adotada, aborda o planejamento de aulas, bem como de atividades, o desenvolvimento das mesmas de forma criteriosa, buscando dar suporte ao professor. Apresenta os conteúdos divididos por bimestres e da mesma forma que outros materiais de Henrieta, traz muitas ilustrações e figuras, de modo a facilitar a compreensão matemática da criança, composta por atividades diversificadas, como problemas, exercícios de repetição, perguntas, exercícios de completar, exercícios de verdadeiro e falso.

Ao participar na elaboração de materiais didáticos que circularam no estado do Paraná, conforme fontes apresentadas, Henrieta configura-se como uma expert,destacando-se como peça fundamental na educação primária paranaense. Neste estado, compôs uma equipe de professores liderada por Osny Antonio Dacol, cujo objetivo era desenvolver estudos motivando a modernização da matemática do ensino primário. O material utilizado para os estudos eram os livros para o Ginásio que, segundo Henrieta, ainda não dispunham de literatura de matemática moderna para o ensino primário. O grupo aprofundou estudos sobretudo na teoria de Jean Piaget, trabalhando com as propostas de ensino da matemática escolar primária, no período em que a Matemática Moderna estava adentrando o currículo das escolas. Henrieta recebia cartas de uma das professoras que integrava o Grupo e estava realizando um curso na Califórnia, ligado ao Departament of Education, San Diego State College, nas quais explicava como a teoria de Piaget estava sendo entendida e aplicada na educação. Esse material servia de base para os estudos e posteriormente para a produção de material pedagógico.

A Professora Henrieta elaborou, em parceria com a equipe, cadernos de Ensino de Matemática Moderna que eram compostos por folhas destacáveis para a realização das atividades em sala de aula (PORTELA, 2009)[3]. A produção desse material iniciou na 1ª série do Ensino Primário evoluindo até a 4ª série. O 1º Caderno de Atividades 1ª série do Ensino Primário Ensino Moderno de Matemática de 1969 (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219740) focalizava a parte inicial de conjuntos com agrupamentos de elementos da natureza e agrupamentos na forma de jogos. Já o 3º Caderno de Atividades 1ª série do Ensino Primário Ensino Moderno de Matemática de 1969, (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219742) iniciava com problemas matemáticos de adição, fazendo uso de texto e figuras. Um aspecto interessante é que neste caderno as propostas eram apresentadas em letra cursiva, enquanto no primeiro eram em letras de forma script. Com base nas atividades realizadas, o material era aperfeiçoado. Os Cadernos de Atividades ganharam um novo status, passando para a ordem dos livros, resultando em coleção composta por quatro volumes de 1ª à 4ª série e quatro volumes de manuais para o professor. O material passou a ser produzido em escala maior pela Editora do Brasil, sendo a 1a edição em 1970 (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219784).

Na equipe, ainda sob a coordenação de Osny Antonio Dacol, Henrieta Dyminski Arruda continuava a dedicar-se ao trabalho de produção dos livros pedagógicos voltados para o ensino da matemática, atendendo aos anseios de modernização do ensino, que se fortalecia ao adentrar a década de 1970. Acompanhando cada livro da coleção, tinha um livro do mestre. Como os livros didáticos eram consumíveis, o Livro do Mestre - Ensino Moderno da Matemática (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219743), chamado pelos autores de “manual”, tinha a intenção de direcionar o trabalho do professor. Para cada unidade, eram citados os pré-requisitos, os objetivos e as atividades sugeridas para cada um dos conteúdos.

Em 1973, Henrieta atuava como coordenadora pedagógica de Matemática no Instituto de Educação do Paraná, nesse período elaborou a obra "Aprendizagem da multiplicação através do produto cartesiano" (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219682), com atividades direcionadas para as quatro séries do 1º Grau. A obra buscava responder questões de "como" ensinar a tabuada e trazia a reflexão sobre a importância da memorização da tabuada no ensino moderno. "Surgiram as preocupações do que as crianças têm condições de aprender, do que ensinar e de como ensinar" (ARRUDA, 1973, p. 2). A autora toma como base as relações entre as estruturas mentais de Piaget e as estruturas matemáticas de Bourbaki para o ensino da tabuada, buscando responder às perguntas: "Como devo ensinar tabuada às crianças?" e "No ensino moderno da matemática, é necessário que a criança memorize a tabuada?" (p. 3). No desenvolvimento, apresenta sugestões de atividades para a aprendizagem da multiplicação por meio do produto cartesiano. Nota-se que as atividades contêm muitas figuras, símbolos, desenhos, utilizando materiais concretos, semi-concretos, semi-abstratos e abstratos, experimentando um método ativo de aprendizagem. Para Henrieta não bastava apenas conhecimento matemático para ensinar matemática, devia o professor saber "como se processam e como se constroem efetivamente no pensamento da criança, as noções matemáticas e como se desenvolve a inteligência matemática espontânea" (ARRUDA, 1973, p. 16).

Henrieta Dyminski Arruda elaborou o material “Matemática Moderna na Escola Fundamental – blocos lógicos” (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219749), datado de 1976, com sugestões de atividades a serem desenvolvidas pelos professores da Escola Fundamental, usando como referência duas obras de Zoltán Pál Diennes: Aprendizado Moderno da Matemática (1970) e Primeiros Passos em Matemática - Lógica e Jogos Lógicos (1976), apoiado em subsídios da experiência metodológica executada com crianças de 4 a 7 anos no Laboratório de Pesquisa e Experimentação Pedagógica da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Paraná. No material, Henrieta dirigia-se aos diretores das escolas, explicando sua compreensão sobre os Blocos Lógicos. Para ela, eram considerados materiais permanentes que mereciam especial cuidado por parte dos professores. Ao manusear este material, a criança tinha a oportunidade de realizar operações mentais que levariam à estruturação do pensamento matemático.

Em outra obra publicada para Zona Rural e Distritos, a coleção de nome “Sugestões de Atividades para Professores de 1ª a 4ª séries” (s/d), (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219782) Henrieta Dyminski Arruda é uma das elaboradoras do Manual do Professor 2ª série. Apresenta o documento como um manual para subsidiar a tarefa docente nas escolas e distritos e de zonas rurais do estado do Paraná, na implantação da Reforma do Ensino. É composto por orientações sobre os procedimentos a serem adotados; sugestões de atividades e exercícios; sugestões de exercícios para verificação de aprendizagem. Mais uma obra de Henrieta com muita ilustração e figuras, buscando facilitar o processo de ensino da Matemática.

Em 1980 fez parte da equipe que produziu o material "A Voz da Escola" (https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219681) do Instituto de Educação do Paraná, n.3. Elaborou o texto "Aprendizagem da multiplicação através do produto cartesiano". Henrieta já vinha dedicando-se a este tema desde 1973. No texto, discute aspectos sobre o ensino da tabuada, sua relevância e como levar às crianças a memorizar a tabuada. Traz alguns exemplos baseados na obra "Aprendizagem da multiplicação através do produto cartesiano", além de sugestões de atividades. Os estudos são baseados principalmente nos ideais de Jean Piaget (1969, 1973), Zoltán Pál Diennes (1965, 1969, 1970), além de Benedito Castrucci (1965), William Morse e Max Wingo (1968) e estudos já realizados pelo NEDEM (1977). A revista faz parte da comemoração do Centenário do Instituto de Educação do Paraná, quando da inauguração da ala nova do Instituto. A revista tinha como objetivo oferecer ao magistério resultado das experiências pedagógicas realizadas no âmbito da educação.

Henrieta Diminsky Arruda participou de forma coerente com a demanda do poder público, sua expertise foi notada pela habilidade de tomar decisões, estar um passo à frente ao orientar professores, promover encontros, reuniões para discussão do ensino e aproveitamento escolar. Todas essas ações podem ser vistas nas fontes consultadas como ações desempenhadas por Henrieta no período em que esteve envolvida com a educação. As fontes indicam que havia uma preocupação por parte desta professora em ensinar os professores o "para ensinar" algo urgente no período, tendo em vista o escasso número de professores formados para atuar no ensino. Além disso, as fontes indicam que Henrieta participou da elaboração de diversos materiais didáticos, documentando e curricularizando a sua expertise, resultado de sua experiência como profissional da educação.

 

Referências

 

COSTA, Reginaldo Rodrigues da. A capacitação e aperfeiçoamento de professores que ensinavam matemática no estado do Paraná ao tempo do Movimento da Matemática Moderna 1961-1982. Tese (doutorado). PUC PR. Curitiba. 2013.

FELISBERTO, L. G. S. A pedagogia da Escola Nova e concepção de concreto: o ensino dos saberes elementares matemáticos no Paraná (1920-1960. Tese (doutorado). PUC PR. Curitiba. 2019. Disponível em: http://www.biblioteca.pucpr.br/pucpr_autoridade/cursos_pucpr.php?cod_autoridade=336840.

MORAIS, R. S. "Intelectual? Não", expert. Acta Scientiae. V. 21, p. 3-12. Canoas. Maio/Jun. 2019.

PINTO, N. B.; COSTA FERREIRA, A. C. O movimento paranaense de matemática moderna: o papel do NEDEM. Revista Diálogo Educacional, vol. 6, nº 18, maio-agosto, 2006, pp. 113-122. Curitiba, Paraná. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/1891/189116273010.pdf.

PORTELA, M. S. Práticas de Matemática Moderna na formação de Normalistas no Instituto de Educação do Paraná na década de 1970. (Tese) Doutorado em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Curitiba, 2009. Dsiponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/116741

SANTOS, E. S. C.; FRANÇA, D. M. A. O Elementar para Irene de Albuquerque. Revista Exitus, Santarém, PA, vol. 9, nº2, p. 186-212, ABR/JUN, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/200929/elementar%20para%20irene%20de%20albuquerque.pdf?sequence=1&isAllowed=y

SAVIANI, Dermeval. História das Ideias Pedagógicas no Brasil. Campinas, SP: Autores associados, 2010.

VALENTE, W. R. A matemática a ensinar e a matemática para ensinar: os saberes para a formação do educador matemático. In: Hofstetter, R; Valente, W. R. [orgs]. Saberes em (trans)formação: um tema central da formação de professores. 1. ed. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2017. Coleção Contextos da Ciência. pp. 201-228.

 

Fontes consultadas

 

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ARRUDA, H. D. (et al). Ensino Moderno de Matemática. Núcleo de Estudos e Difusão do Ensino da Matemática. 2º Vol. Editora do Brasil SA. São Paulo, 1970. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219784

ARRUDA, H. D. (et al). Sugestões de atividades para professores de 1a a 4a séries. Estado do Paraná. Secretaria da educação e Cultura. s/d. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219782

ARRUDA, H. D. A Aprendizagem da Multiplicação através do Produto Cartesiano. Instituto de Educação do Paraná. II Simpósio de Ensino do Paraná. Dez, 1973. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219682

ARRUDA, H. D.; MILEK, S. Objetivos de Extensão de Matemática - 1ª a 8ª séries do 1º grau. Prefeitura Municipal de Curitiba, Departamento de bem estar social. Maio - 1974. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219717

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ARRUDA, H. D. Documento 03 - Adição e Subtração. Prefeitura Municipal de Curitiba, Departamento de bem estar social. Junho - 1974. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219716

ARRUDA, H. D. Documento 05 - Operação Subtração. Prefeitura Municipal de Curitiba, Departamento de bem estar social. Outubro - 1974. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219719

ARRUDA, H. D. Treinamento de professores - Avaliação de Matemática. Prefeitura Municipal de Curitiba, Departamento de bem estar social. Fevereiro - 1975. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219720

ARRUDA, H. D. Matemática Moderna na Escola Fundamental. Documento 01 - Blocos Lógicos. Maio, 1976. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219749

ARRUDA, H. D. A Matemática na série inicial do 1º Grau. s/d. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219748

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ARRUDA, H. D. (et al). Ensino Moderno da Matemática. Núcleo de Estudo e Difusão do Ensino da Matemática - NEDEM. 3º caderno. 1969. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219742.

PARANÁ. Educação e Cultura. Mensagem dirigida à Assembleia Legislativa do estado do Paraná. Jacundino da Silva Furtado. 1962. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/209277.

PARANÁ. Currículo: Elementos para o planejamento curricular na primeira série do ensino de 1º grau. 1977. Ano 3 - nº 24. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/201984

PARANÁ. Currículo: Elementos para o planejamento curricular na quarta série do ensino de 1º grau. 1979. Ano 5 - nº 39. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219622 e https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219625

PARANÁ. A Voz da Escola. Ano III, nº 3. Curitiba, 1981. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219681

PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação e da Cultura. Departamento de Ensino de 1º Grau.Sugestões de Atividades para Professores de 1ª a 4ª séries. Manual do Professor 2ª série – Zona Rural e Distritos s/d. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219782

 

Notas

 

[1] O CETEPAR foi criado em 1969, no governo de Paulo Pimentel, mas oficializado em 1971 pelo decreto n. 1083. Maiores informações consultar COSTA (2013). Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/116743.

[2] Embora tenha sido professora de ensino primário, sua maior contribuição direciona-se para a 1ª série do ensino primário. Nesse sentido, mesmo havendo materiais direcionados para outras séries do ensino primário, optamos por comparar o Manual do Professor Primário do Paraná de 1963 e a Revista Currículo de 1977, ambos para a 1ª série.

[3] Para maior compreensão do contexto de produção do material pedagógico consultar a Dissertação de PORTELA, 2009. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/116741.

 

Danilene Gullich Donin Berticelli

Mariliza Simonete Portela